Isolamento: risco sério no home office

Frequentar cafés, coworkings ou trabalhar de vez em quando com algum amigo, podem ser boas opções para combater o isolamento no home office.

Frequentar cafés e coworkings ou trabalhar de vez em quando com amigos freelancers são boas estratégias para sair do isolamento no home office.

No início é provável que você ache libertador começar cada dia no home office com controle completo da sua rotina. Mas depois de um tempo, vai descobrir que a vida sem colegas de trabalho pode ser um tanto solitária e até pouco inspiradora.

O isolamento no home office pode afetar a criatividade e até mesmo a saúde. Aliás, esse é um problema mais sério na vida dos freelancers do que você pensa.

É o que destaca o artigo publicado no Fast Company, que também relaciona algumas razões para que você procure, na medida do possível, estar próximo de outras pessoas. Confira a livre tradução/adaptação abaixo ou a publicação na íntegra clicando aqui.

1. Você precisa dividir seus problemas

Os problemas de trabalho não deixam de existir no home office. Eles ainda farão parte da sua rotina e com a desvantagem de que não há ninguém com quem você possa falar a respeito.

A primeira consequência disso é achar que você é o único que tem problemas. Pense no conceito da universalidade: quem é ansioso ou tem depressão pode se sentir melhor em grupos de apoio ao perceber que outras pessoas passam pelas mesmas situações. Às vezes é importante dividir o problema para vê-lo como universal e não como algo que afeta apenas você.

Outro ponto negativo é que trabalhando sozinho você também corre o risco de se isolar de outros profissionais que podem ajudá-lo a encontrar uma solução, seja através de brainstorm ou até mesmo de um simples desabafo.

A dica é participar de grupos locais de networking ou mesmo se encontrar com outros freelancers ao longo da semana, seja para uma tarde de trabalho em conjunto ou apenas para um café. Se não for possível, considere ligar para um colega ou amigo e falar sobre os problemas de trabalho.

2. Conviver é importante para ser criativo

Claro, você precisa ficar sozinho para se concentrar, mas para alcançar um determinado nível de inovação e criatividade, você precisa de pessoas. É por isso que é tão importante para as empresas criar espaços de trabalho que ofereçam aos colaboradores a chance de recorrer ao outro.

Miguel McKelvey, um dos fundadores do WeWork – startup nova-iorquina que oferece espaços de coworking em várias cidades do mundo – disse em entrevista ao Fast Company que sua equipe é muito detalhista quando planeja um espaço de trabalho, tudo é avaliado: desde como as pessoas chegam à máquina de café até o caminho que fazem quando saem do elevador.

A crença é de que os encontros casuais no espaço de trabalho criam confiança e familiaridade entre os colegas, o que por sua vez leva ao desenvolvimento de soluções inovadoras.

3. Socializar aumenta a produtividade

Dizem que só conseguimos trabalhar em um nível ideal de concentração durante 60 a 90 minutos. Após esse período, é preciso dar uma pausa ou você estará trabalhando com perda de rendimento.

Se durante este intervalo você trocar uma ideia com alguém bem humorado e positivo, é provável que seja contagiado por essa mentalidade e fique mais inspirado quando retomar as atividades.

É por isso que quando você trabalha sozinho em um home office é legal frequentar um café ou coworking de vez em quando. Ou então, procure fazer reuniões presenciais com os clientes ao invés de usar o telefone ou Skype. Pausas e interações sociais são necessárias para mantê-lo focado e disposto.

Talvez seja indispensável para você ter espaço e horário de trabalho flexíveis, que acompanhem as suas ideias. Mas lembre-se que, via de de regra, os seres humanos são criaturas sociais e precisam de outras pessoas para encontrar a felicidade e, por sua vez, o sucesso na carreira.

  • Gostei do artigo! O que faço é:
    1) Combinar alguns dias para trabalhar no escritório do cliente. Assim não fico 100% do tempo no Home Office;
    2) Converso bastante com clientes e parceiros via chat ou mesmo em voz via Skype. Assim estou sempre trocando ideias, tirando dúvidas e praticando brainstorming virtual.
    3) Uso cafés quando quero ver gente :-)

  • Eu trabalhei em home office de novembro do ano passado até julho deste ano. Por ter uma startup ainda sem receita, era a opção mais cômoda. Em agosto, entrei para o NAVE, uma pré-aceleradora da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. O programa de incubação oferece espaço de coworking gratuitamente. Em apenas 2 meses, muitas coisas melhoraram na minha vida, incluindo:

    1) Produtividade: no home-office, eu começava a trabalhar 9-10h da manhã e encerrava lá pelas 22h. Nesse intervalo, era constatemente interrompido pela empregada, que queria arrumar o quarto, pela minha mãe, que precisava de ajuda com o seu smartphone, pedindo pra que eu fosse ao mercado, padaria etc, ou pelos meus sobrinhos, que queriam brincar. Muitas dessas interrupções aconteciam no meio de um Skype/Hangout com algum cliente. No coworking, normalmente trabalho das 10h às 19h, com foco total e poucas interrupções externas. Paro a cada 60-90 minutos pra tomar um café, água ou dar uma descansada na cabeça. Às quintas, temos uma sessão de alongamento por aqui, o que ajuda bastante a aliviar o estresse.

    2) Troca de experiências: tocando a minha startup, volta e meia empaco em alguma coisa. Diariamente, trabalho com 40-50 pessoas, de áreas de conhecimento bastante variadas. Todas as vezes que precisei de ajuda com algo, sempre havia pelo menos uma pessoa disposta a me ajudar. E o melhor: o problema sempre é resolvido.

    3) Networking: além dessas 40-50 pessoas, recebemos visitas de pessoas de fora da incubadora, brasileiros e estrangeiros. Em três ocasiões, tive a oportunidade de apresentar meu projeto e praticar meu inglês. Recebemos visitas constantes de estudantes, empreendedores, investidores e empresários.

    4) Equilíbrio Vida Pessoal vs Vida Profissional: no home office, é tentador trabalhar até mais tarde. Ainda mais quando o dia não é dos mais produtivos, o que te força até mesmo a virar a noite. O ambiente do coworking me inspira a focar e ser produtivo, já que todos a minha volta estão trabalhando. O simples hábito de fechar o notebook, pegar o ônibus e ir pra casa é suficiente pra acabar com o meu expediente. Quando chego em casa, só penso em tomar um banho, jantar e ir pra cama. Mentira: entre o jantar e a cama, ainda sobra tempo de assistir minha série favorita. =)

    5) Sono e disposição: quando trabalhava em home-office, não tinha hora certa pra acordar e dormir. Era comum acordar às 10h, 11h, pelo fato de ter ido dormir às 3h ou 4h da manhã. Eu trabalhava de madrugada muito mais pelo fato de ser o horário em que eu era mais produtivo do que pela necessidade de trabalhar até mais tarde. Ou seja, não tinha uma rotina de sono bem definida. Não há corpo que aguente com isso. Depois que passei a trabalhar no coworking, deito por volta das 23h-0h e levanto às 8h. Hoje, acordo sempre bem disposto.

    6) Alimentação: quando fazia home office, como muitas vezes acordava perto da hora do almoço, sequer tomava café da manhã. Era um cafezinho e olhe lá. Tenho hérnia de hiato, que dentre outras coisas, me provoca azia. Era praticamente impossível dormir sem tomar uma dose de sal de frutas. Atualmente, tomo café da manhã, almoço, lancho no final da tarde, janto e, algumas vezes, ainda como algo antes de dormir. A azia continua (por conta da hérnia), mas melhorou bastante.

    Bom, essa é a minha experiência do home office vs coworking. Espero que sirva de inspiração para outras pessoas. =)