Beleléu e o escritório das HQ’s

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Estêvão Vieira, o Stêvz, é cartunista, animador, designer gráfico e músico. E é também editor da Beleléu, uma editora de publicações independentes especializada em quadrinhos e arte gráfica.

Além da criatividade, as diferentes atividades encontram um ponto em comum: o home office. É que Stêvz sempre trabalhou em casa. “Acho que aconteceu pela natureza do meu trabalho mesmo, quando vi já estava trancado no quarto desenhando ou fazendo música por horas sem ganhar nada por isso”.

1. Você já sentiu (ou sente) falta de trabalhar em uma empresa “convencional” (com expediente fixo, equipe, etc.)?

Acho que um ambiente em que outras pessoas estejam empenhadas no mesmo processo pode acabar estimulando o trabalho sim, a troca de informações etc. Mas não sei se funcionaria muito pra mim no dia a dia, já estou acostumado a trabalhar no meu próprio ritmo, e acabo pulando de um projeto para o outro a toda hora. As prioridades são flexíveis.

2. Como é o seu dia de trabalho? Você tem uma rotina?

Adoraria dizer que sim, mas cada dia é um dia. Ainda estou começando a criar uma rotina em Porto Alegre. Meu horário acaba se adaptando ao da minha mulher, que trabalha fora, para podermos passar algum tempo juntos. O problema de se trabalhar em casa é que você acaba tendo que resolver mil tarefas domésticas no meio do expediente, lavar louça, atender telemarketing… Você é o chefe, o funcionário, o almoxarifado e o zelador ao mesmo tempo. É preciso alguma disciplina.

3. Como é o trabalho na editora? Como acontece a escolha dos títulos que são publicados?

Geralmente um de nós já tem um projeto que está ficando pronto, e naturalmente entra no topo da fila de próximos lançamentos. Alguns amigos nos mandam material também, e se todos concordarem acaba sendo publicado. Em outros casos, tivemos projetos coletivos que acabaram se tornando publicações, como o livro Monstros. No momento não estou mais tão diretamente envolvido com a escolha dos títulos.

4. A Beleléu nasceu como uma revista, sendo o primeiro número criado a oito mãos. Como foi esse processo conjunto de criação?

Várias das histórias na revista foram criadas em conjunto, geralmente em duplas, apesar da maior parte do material de cada um já estar pronto. Experimentamos um pouco misturar o estilo de cada um. A revista foi pensanda para ter unidade, desde o começo. Na época nos encontrávamos quase toda semana em algum bar ou na casa de alguém para bolar idéias. Os bares já não lembro, mas não foram poucos.

5. E tem alguma chance de sair uma nova edição da Revista Beleléu ou algum novo trabalho seu em conjunto com Arruda, Elcerdo e Lafa (quadrinistas da primeira edição da revista)?

Cheguei a montar uma segunda edição da revista com os quatro, por volta de 2012, mas não entramos em um consenso. O material que era inédito já foi publicado por aí, então não sei se haverá uma próxima. A Beleléu agora é mesmo uma editora.

6. Você é de Brasília, já morou no Rio de Janeiro e hoje mora em Porto Alegre. Os lugares influenciam a sua forma de trabalhar ou as coisas que você cria? 

Provavelmente, o espaço físico influencia o imaginário. Brasília era um deserto, o Rio uma selva. Porto Alegre ainda estou descobrindo.

7. Tem alguma dica de lugar legal para trabalhar fora de casa?

Nunca tive muito esse costume, mas bibliotecas são sempre lugares interessantes para se visitar. De qualquer forma, é importante sair de casa de vez em quando e ver o mundo lá fora.

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