Ruas lotadas. Deslocamentos difíceis. Infraestrutura sobrecarregada. Má qualidade do ar. Alto custo de vida. Embora isso ainda não descreva todas as cidades atualmente, é um desenho do futuro de muitas delas.
Até 2030, a ONU prevê que 60% da população mundial vai estar morando e trabalhando onde costumam estar os melhores empregos: nas grandes cidades. Bom, e se algumas cidades já estão sofrendo com superlotação, conseguem imaginar o que pode acontecer em 10 anos?
Os responsáveis pelas políticas públicas estão tentando solucionar esse problema construindo mais casas em lugares afastados e projetando uma infraestrutura melhor de transporte para levar as pessoas até o trabalho. Mas isso não chega na raiz do problema.
Se realmente quisermos construir um futuro sustentável para as cidades, então os líderes governamentais e empresariais precisam mudar o foco e incorporar opções de trabalho remoto no planejamento urbano.
Nesta era digital, mais pessoas do que nunca podem trabalhar de qualquer lugar com conexão de internet. Os estudos mostram que mais de dois terços dos trabalhadores em todo o mundo já estão trabalhando fora do escritório pelo menos uma vez por semana.
Dados do censo dos EUA mostram que a população de pessoas que trabalham em casa cresceu quatro vezes mais rápido do que a população total de trabalho entre 2005 e 2017.
Recentemente, a cidade de Tulsa (nos EUA), ofereceu a um número limitado de trabalhadores remotos e autônomos a oportunidade de se mudarem para a cidade por um ano (veja detalhes aqui). Os participantes receberam 10 mil dólares em dinheiro, uma pensão para um apartamento mobiliado e uma mesa em um espaço de trabalho no centro da cidade. No ano passado, Vermont (outra cidade norte americana) estabeleceu um programa semelhantes.
Precisamos de mais programas como esses em cidades menores e áreas rurais em todo o mundo. Se essa prática fosse mais comum, veríamos que uma cultura de trabalho remoto mais estabelecida pode realmente ter um impacto positivo na riqueza, na saúde e na sociedade como um todo. Ao permitir que as pessoas trabalhem remotamente, as empresas economizam dinheiro em imóveis comerciais, já que precisam de menos espaço no escritório. Eles também não precisam pagar para realocar os membros da equipe.
Enquanto isso, estudos indicam que as pessoas em programas de trabalho flexíveis são mais felizes, mais saudáveis e mais produtivas do que seus colegas de escritório. Assim, enquanto algumas empresas de renome evitam o trabalho remoto, muitas outras, incluindo Amazon, Apple, Dell, Hilton e Microsoft, estão apostando nele. E algumas empresas de tecnologia em rápido crescimento estão abandonando escritórios e montando equipes totalmente distribuídas, como Automattic, Mozilla, Basecamp, GitHub, Atlassian, Zapier, Buffer e Upwork, por exemplo.
Vamos trabalhar em casa?
Ao eliminar a necessidade de as pessoas se reunirem em um espaço limitado para terem acesso a bons empregos, as cidades têm menos probabilidade de enfrentar demandas por moradia que excedem o que são capazes ou estão dispostas a construir. Como resultado, os custos de aluguel se estabilizam. E aqueles que realmente precisam viver nas grandes cidades podem fazê-lo de forma mais acessível, ao contrário do que vemos hoje: bilhões de habitantes urbanos vivendo em moradias precárias e lutando apenas para sobreviver.
Quando os membros da equipe trabalham remotamente, eles também passam menos tempo por semana em estradas e rodovias locais. Isso significa que eles são mais felizes, menos propensos a deixar seus empregos e, provavelmente, passam mais tempo concentrados em seu trabalho. Menos carros em estradas e rodovias significam tempos de deslocamento mais curtos para aqueles que não têm outra opção a não ser dirigir até o trabalho e, muito importante, menos poluentes no ar.
Para pensar: na Índia, espera-se que mais de 300 milhões de pessoas se mudem das comunidades rurais pobres para os centros urbanos até 2050. Isso faz sentido, porque é onde os empregos estão (mesmo que eles não paguem o suficiente que as pessoas consigam se manter dignamente em grandes cidades).
Os planejadores urbanos entendem que o movimento de todas essas pessoas vai piorar a crise imobiliária do país e trazer congestionamentos de tráfego pesado, o que, por sua vez, poderia prejudicar a produtividade do trabalhador.
Mas, em vez de tentar se manter à frente e evitar a aglomeração urbana, os responsáveis ainda estão se concentrando na habitação e nos deslocamentos mais rápidos. Mudar para um plano de trabalho remoto formal não apenas resolveria o problema, mas o transformaria em uma oportunidade, impulsionando o desenvolvimento e a economia fora das grandes cidades.
As pessoas ainda vão querer morar nos grandes centros como São Paulo, São Francisco, Nova York e Londres. Mas, se avançarmos nesse problema crescente de sustentabilidade urbana, temos que estimular a mudança pensando de maneira inovadora, criando novas opções e fazendo uso da tecnologia à qual já temos acesso.
O trabalho remoto é a nova onda. Já está na hora dos governos e os líderes corporativos reconhecerem a oportunidade que esta tendência apresenta e pensarem na possibilidade de construir um futuro melhor para os moradores urbanos em todo o mundo.
*Com informações de Quartz
* Esse post faz parte da parceira entre a HOM e o Adoro Home Office. A HOM é uma empresa especializada em ajudar organizações a implantarem e gerenciarem novos modelos de trabalho a distância. Clique aqui para saber mais.