Ryan Roslansky, que comandou o LinkedIn por seis anos e hoje é vice-presidente executivo da Microsoft à frente do Office e do Teams, vai deixar a empresa no fim de 2026. O motivo foi ele mesmo quem deu, em um memorando à equipe: o cargo pedia presença diária na sede, em Redmond, no estado de Washington, e ele não quer tirar a família da região de São Francisco, onde mora.
O que ele escreveu
A saída foi anunciada por Satya Nadella, CEO da Microsoft, em um memorando interno na última quinta-feira, segundo a CNBC. No texto de despedida, Roslansky disse saber o que seria necessário para liderar bem a próxima fase do trabalho: estar em Redmond em tempo integral, todos os dias. “Mas a minha vida e a da minha família estão aqui na Bay Area”, escreveu. Nadella respondeu no mesmo tom de reconhecimento, dizendo que Roslansky deixa a área em uma posição forte.
Quase 18 anos de casa
Roslansky entrou no LinkedIn em 2009 como chefe de produto e virou CEO em 2020. Nesse período, a rede chegou a 1,3 bilhão de usuários. Em 2025, ele passou a comandar também o Office, que inclui Word, Excel e Outlook, e neste ano assumiu o Teams. Foi a primeira vez que LinkedIn, Office e Teams ficaram sob o mesmo executivo. Com a saída, Office e Teams passam para a área de Copilot, agentes e plataforma, comandada por Charles Lamanna. Dan Shapero segue como CEO do LinkedIn.
A empresa do Teams quer gente no escritório
A decisão acontece numa Microsoft que vem apertando a presença física. Em setembro de 2025, a empresa anunciou que quem mora a até 80 quilômetros de um escritório deveria trabalhar presencialmente três dias por semana a partir do fim de fevereiro de 2026, começando por Redmond. É a mesma empresa que fabrica boa parte das ferramentas que tornaram o home office possível.
No caso de Roslansky, a exigência ia além dos três dias da regra geral. Foi ele quem avaliou que o cargo pedia estar na sede todos os dias, e quem decidiu que não valia a mudança.
Por que a escolha de Ryan Roslansky importa
Um executivo nesse nível tem todos os recursos para se mudar de cidade, e mesmo assim disse não. Isso mostra o peso que o lugar onde a gente vive tem na decisão de aceitar ou manter um trabalho.
É a mesma lógica que aparece nas vagas comuns. Uma vaga em home office recebe nove vezes mais candidaturas que uma presencial, segundo o Infojobs. Quando a empresa amarra o cargo a um endereço, ela passa a disputar só com quem já mora perto ou aceita se mudar, e corre o risco de perder justamente quem gostaria de manter.
Fonte: memorandos de Satya Nadella e Ryan Roslansky, conforme reportado pela CNBC, GeekWire e The Verge em outubro de 2026.

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