Home office no Brasil segue acima do pré-pandemia
O home office no Brasil fechou 2025 com 7,9% dos trabalhadores atuando principalmente de casa, segundo dados da Pnad Contínua divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (23). São cerca de 6,6 milhões de pessoas, o mesmo percentual de 2024 e bem acima dos 5,8% de 2019, último ano antes da pandemia.
O que os números mostram
A série da pesquisa começa em 2012, quando 3,6% dos trabalhadores brasileiros trabalhavam de casa. Em 13 anos, essa fatia mais que dobrou. O pico veio em 2022, primeiro dado depois da pandemia, com 8,4%. Depois houve um recuo, para 8,2% em 2023 e 7,9% em 2024. Em 2025, o número parou de cair.
Isso num período em que muitas empresas chamaram as equipes de volta ao escritório e em que o noticiário dava a impressão de que o home office estava acabando. O IBGE mostra que ele ficou estável, num patamar acima do de antes da pandemia. Para quem trabalha de casa, ou quer trabalhar, é uma ótima notícia.
O dado deixa gente de fora
A Pnad pergunta onde a pessoa trabalha na maior parte do tempo. Quem está no híbrido com três dias em casa e dois na empresa entra na conta do home office. Quem vai quatro dias ao escritório e fica um em casa, não.
Os 7,9% são as pessoas que têm a casa como local principal de trabalho. Quem trabalha de casa em parte da semana é um grupo maior do que esse.
Mulheres e Porto Alegre na frente
Entre as mulheres que trabalham, 12,5% estavam em home office em 2025. Entre os homens, 5%.
No recorte das capitais, Porto Alegre passou a liderar a proporção de pessoas trabalhando de casa: 18,7% de quem trabalha na cidade, quase uma em cada cinco. Recife vem em seguida, com 15,4%, e Belo Horizonte, com 15,2%. Na outra ponta está Porto Velho, com 4,2%.
Meio milhão fora do trânsito em São Paulo
Em números absolutos, São Paulo concentra o maior contingente entre as capitais: 543 mil pessoas trabalhando principalmente de casa em 2025. São 543 mil pessoas que, na maior parte da semana, não enfrentam o trânsito da cidade para ir trabalhar.
O número é menor que o de 2022, quando a capital paulista tinha 887 mil pessoas em home office, logo depois da pandemia. Mesmo assim, São Paulo segue muito à frente das outras capitais. O Rio de Janeiro tem 287 mil pessoas trabalhando de casa, e Belo Horizonte, 168 mil. BH e Brasília, que chegou a 122 mil, aumentaram o número de pessoas em home office desde 2022.
Por que isso importa para quem quer trabalhar de casa
Menos de 8% dos trabalhadores brasileiros têm a casa como local principal de trabalho. Continua sendo uma minoria, e é por isso que vaga remota segue tão disputada: segundo o Infojobs, uma vaga em home office recebe nove vezes mais candidaturas que uma presencial.
O que o IBGE mostra agora é que essa minoria se firmou. Quatro anos depois do pico, o home office passou a ser parte fixa do mercado de trabalho brasileiro, num patamar maior do que o de antes da pandemia.
Fonte: IBGE, Pnad Contínua: Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2025, divulgada em 23/09/2026.

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