O Itaú fechou o maior contrato de locação de escritórios da história de São Paulo. Duas torres inteiras do complexo Esther Tower, na Avenida Chucri Zaidan, por R$ 1,17 bilhão ao longo de dez anos, com opção de esticar para quinze. São 91.400 m² e 9.600 postos de trabalho, presos por uma década a um modelo que o próprio mercado global ainda está testando.
A conta chega junto com uma mudança de política que o banco já tinha anunciado em junho. A partir de 2028, o quadro administrativo passa a trabalhar três dias por semana no escritório, contra os oito dias por mês de hoje. Os superintendentes antecipam essa régua em janeiro de 2027, equiparando-se aos diretores. Atualmente, mais de 60% dos 80 mil funcionários do Itaú no Brasil estão em algum regime híbrido.
Vale reparar no que esse número compra. Não compra produtividade: o banco não divulgou nenhum dado interno mostrando queda de performance no híbrido que justifique a mudança. Compra dez anos de compromisso fixo com metro quadrado, num momento em que o resto do mercado financeiro global está testando exatamente o oposto: menos escritório, mais margem. O Itaú aposta na direção contrária à própria tendência que ajudou a criar. Foi um dos primeiros bancos brasileiros a adotar o remoto em peso, em 2020.
Essa aposta tem custo além do aluguel. O Sindicato dos Bancários de São Paulo já se posicionou contra o anúncio de junho, defendendo o home office. É o tipo de atrito que qualquer área de RH sabe que custa caro em retenção, principalmente entre quem já provou que entrega de casa e não quer voltar a perder duas ou três horas por dia no trânsito da Chucri Zaidan. Cada saída por causa disso é um custo de recontratação que não aparece na planilha do contrato de locação, mas está lá.
Fica o contraste: enquanto o Itaú tranca R$ 1,17 bilhão em prédio, quem manteve o remoto sério está usando esse dinheiro em outro lugar. A conta de quem recua do home office não é só o aluguel. É tudo que deixou de ser investido em gente para virar metro quadrado.
Fico com uma pergunta que só o tempo responde: daqui a dois, três anos, qual vai ser o turnover e o nível de satisfação de quem não está no alto escalão — o quadro administrativo que vai cumprir os três dias por semana a partir de 2028, não os diretores e superintendentes que já negociam suas próprias regras? É esse número que eu quero acompanhar.
Fontes: CNN Brasil (18/09/2026) — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/itau-fecha-maior-locacao-de-escritorios-ja-vista-e-aluga-2-predios-para-trabalho-presencial/; Bloomberg Línea (23/06/2026) — https://www.bloomberglinea.com.br/negocios/itau-reforca-retorno-ao-escritorio-com-3-dias-presenciais-por-semana-a-partir-de-2028/

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