A relação entre home office e colaboração acaba de ganhar um estudo de peso. Uma pesquisa publicada na revista Organization Science acompanhou durante sete anos uma empresa que trocou o escritório pelo trabalho de casa e viu os colegas ficarem mais próximos, mais abertos para pedir ajuda e mais dispostos a cobrir uns aos outros. É justamente o oposto do argumento mais usado pelas empresas que estão chamando a equipe de volta.
Quem fez a pesquisa
A autora é Vanessa M. Conzon, professora de gestão e organização da Carroll School of Management, do Boston College. Ela começou a acompanhar uma empresa de serviços profissionais antes da pandemia e seguiu até 2024, com 275 entrevistas e cerca de 330 horas de observação.
Durante esse período, a maior parte da equipe passou a trabalhar de casa quatro ou cinco dias por semana, com reuniões por vídeo. O nome da empresa não foi divulgado, e os funcionários aparecem no estudo com nomes fictícios.
O que mudou com o trabalho remoto
Os colegas passaram a se conhecer melhor. As videochamadas mostravam o filho entrando na sala, o cachorro no colo, a casa de cada um, e isso abriu espaço para conversas que não aconteciam no escritório. Pessoas que trabalhavam juntas havia anos contaram que só então passaram a entender a vida umas das outras.
Uma funcionária, mãe de dois filhos, contou que no escritório se esperava que todo mundo chegasse disposto e sorrindo, mesmo depois de uma noite sem dormir. Com o trabalho em casa, essa pressão diminuiu. Outro funcionário disse que tinha medo de avisar que não podia ficar até tarde porque estava ajudando a mãe, e que isso deixou de ser um problema.
Por que isso melhora o trabalho
O estudo mostra um aumento da segurança psicológica, que é a confiança de poder admitir um erro, pedir ajuda ou falar de uma dificuldade sem medo de ser julgado. Equipes com segurança psicológica resolvem problemas mais cedo, porque ninguém esconde o que está dando errado.
No dia a dia da empresa estudada, isso virou cooperação prática. Quando o pai de um colega ficou doente, uma colega assumiu as tarefas dele para o trabalho não parar. Outro funcionário contou que conhecer a vida pessoal dos colegas ajudou a equipe a trabalhar melhor. E os ganhos apareceram em pessoas de idades e situações diferentes, com e sem filhos, com e sem parceiro.
E o argumento da volta ao escritório?
Boa parte das empresas que estão chamando a equipe de volta justifica a decisão com colaboração, troca entre colegas e cultura. O estudo mostra que a proximidade pode crescer com a equipe trabalhando de casa. O que aproximou os colegas foi a forma como eles passaram a interagir, e o vídeo, as fotos e as conversas sobre a vida fora do trabalho fizeram esse papel.
Não é o primeiro dado que vai nessa direção. A gente já mostrou aqui que vagas home office atraem nove vezes mais candidatos, e agora a pesquisa mostra que o modelo também segura as equipes unidas depois da contratação.
Fonte: Vanessa M. Conzon, Organization Science, e texto da autora publicado no The Conversation em outubro de 2026.

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